A série inFAMOUS sempre entregou menos do que prometeu.
Apesar das boas ideias que permeiam a franquia da Sucker Punch, sua execução é
cheia de falhas e pequenos problemas que acabam prejudicando toda a
experiência. Com o lançamento do PlayStation 4, a desenvolvedora entrou em cena
mais uma vez com uma espécie de reboot de sua promissora franquia. inFAMOUS:
Second Son não abandona o enredo e o legado de Cole MacGrath (herói dos títulos
lançados para o PlayStation 3), mas introduz um novo personagem: o carismático
Delsin Rowe. Com a promessa de ser o primeiro jogo graficamente impactante do
novo console da Sony, Second Son surpreende por sua qualidade, mas sem deixar
alguns problemas de lado.
Salvando sua tribo
Second Son se passa sete anos após os eventos de inFAMOUS 2. Os poucos condutores que sobreviveram aos acontecimentos passados são procurados como
bioterroristas pela DUP, instituição teoricamente responsável por proteger a
população de tais aberrações. O novo protagonista, Delsin, é um jovem
problemático pertencente à tribo Akomish, que vive em uma pacata vila nos
arredores de Washington. Com um grande histórico de depredação de espaços
públicos e por ser um excelente grafiteiro, o rapaz é um dos maiores problemas da vida de
Reggie, seu irmão e xerife da região, que é obrigado a prender Delsin toda vez
que o garoto comete algum delito.
Apesar de não aceitar que seu irmão seja um condutor, Reggie tenta ajudá-lo em sua jornada |
A aventura começa quando alguns condutores escapam de uma
viatura da DUP e Delsin entra em contato com um deles. Por alguma razão, o
rapaz absorve o poder desse bioterrorista e se torna capaz de absorver fumaça. Com todo o rebuliço da fuga, Augustine, membro do alto escalão da
DUP, e também uma condutora, visita o vilarejo onde tudo aconteceu e tortura os moradores com
poderosos – e bizarros – poderes de concreto. Delsin, por alguma razão, não é
preso por Augustine, mas é deixado no vilarejo com o corpo cheio de
ferimentos. Graças a seus poderes recém adquiridos, o rapaz consegue se
recuperar rapidamente, mas descobre que todos os seus amigos estão à beira da
morte. Com isso, ele decide viajar até Seattle, onde se localiza a base da DUP,
para encontrar Augustine e obrigá-la a salvar seus amigos.
Divertido e engraçado, Delsin é muito mais carismático que Cole |
Apesar das belíssimas cenas que dão andamento à jornada de
Delsin, o enredo possui diversos furos de roteiro e é vago o bastante para que
você não se importe com os personagens que encontra durante a aventura. Exceto
por Delsin, que é brilhantemente interpretado por Troy Baker, o Joel de The
Last of Us, nenhum personagem do jogo é memorável. O maior problema é a falta de
desenvolvimento de cada um, de maneira que todos parecem estar lá apenas para
aumentar o brilho de Delsin. Augustine, a grande antagonista do jogo não
intimida ninguém, e em certo ponto da aventura você nem lembrará mais que toda a
sua tribo está à beira da morte. Mesmo assim, Second Son possui o enredo mais
envolvente já criado até hoje na franquia e mostra que, apesar de alguns problemas, a
Sucker Punch está se esforçando para evoluir seus jogos neste aspecto.
Parque de diversões para super heróis
Se os dois primeiros inFAMOUS apresentavam uma enorme sandbox
para que o jogador pudesse se divertir com Cole, Second Son leva tudo a um novo
patamar com uma incrível recriação da cidade de Seattle. Apesar de baseada na
cidade real, a Seattle da Sucker Punch é repleta de licenças poéticas em prol
do gameplay. Arranha-céus foram adicionados para que os jogadores tivessem
lugares mais divertidos para escalar e tudo parece ter sido desenvolvido para
que Delsin possa usar e abusar de seus poderes especiais. Assim como Cole, Delsin também é capaz de se
locomover com muita agilidade, seja utilizando seus poderes ou mesmo por meio de suas
habilidades avantajadas de parkour. A jogabilidade é tão dinâmica e divertida
que várias vezes flagrei-me apenas passeando pela cidade enquanto coletava orbes
(falarei sobre eles em breve).
Passear por Seattle é muito divertido! |
Durante a jornada, o rapaz ainda encontra mais condutores
fugitivos que lhe concedem novos poderes, de maneira que o protagonista pode
ter poderes relacionados a fumaça ou neon, por exemplo. Na segunda metade da
jornada, o rapaz ainda adquire outros tipos de poderes, que não pontuarei aqui para que não
quebre o fator surpresa do jogo, mas garanto que cada nova habilidade torna
tudo ainda mais divertido.
O jogador pode optar por dispersar manifestantes que desejam a morte dos condutores |
Como em todo jogo de mundo aberto, o jogador deve completar
missões para dar andamento ao enredo. Tais missões, que estão sempre demarcadas no mapa,
são bastante variadas e divertidas, ainda que nem sempre fundamentais para a
história. Além disso, Seattle possui diversos distritos sob o domínio da DUP que
podem ser salvos pelo protagonista. Para salvar os distritos, Delsin deve
destruir os reatores centrais de cada um, mas isso não pode ser feito sem que antes ele tenha de enfrentar muita
resistência dos soldados locais. Após a destruição de um reator, as missões
paralelas relacionadas ao distrito são liberadas, abrindo novas possibilidades
de exploração para o jogador.
Detruir bases da DUP é uma das partes mais divertidas de Second Son! |
Por fim, o jogo ainda conta com o antigo sistema de escolhas morais que
permeava os jogos anteriores. Através dele, o jogador pode decidir se Delsin será um vilão
ou apenas encarnará o bom moço. Todas as ações executadas resultam na obtenção
de Karma, que pode ser positivo ou negativo. Caso o jogador decida poupar civis,
permitir manifestações ou mesmo não depredar a cidade, ele será recompensado
com Karma azul, ou positivo, que liberará movimentos especiais exclusivos para este tipo de Karma. Caso a postura seja contrária, o Karma recebido será vermelho, e
Delsin aprenderá golpes muito destrutivos. Além das ações normais, em certos
momentos da aventura o jogador deverá tomar decisões mais complexas que afetam
diretamente o roteiro. Por meio disso, o jogador tem nas mãos a
possibilidade de mudar parte do enredo, mesmo que tais mudanças sejam quase
nulas.
Lutando com estilo
Como dito, Delsin possui diversos tipos de poderes
provenientes dos condutores encontrados por ele durante a jornada. Cada tipo de poder
possui uma árvore de habilidades que são destravadas com a utilização de orbes encontrados
pela cidade. Contudo, obtê-los não é das tarefas mais simples. Isso porque os
artefatos só são obtidos ao destruirmos pequenos droides que estão espalhados pelos
cenários e que, mesmo sendo visíveis, são ágeis e nem sempre podem ser facilmente destruídos.
Os golpes especiais de Delsin impressionam pelo poder de destruição e também pelo visual espetacular |
Nos confrontos, Delsin pode utilizar ataques físicos ou de longa distância, mas nem sempre os primeiros são recomendados, já que os inimigos
quase sempre possuem armas de fogo. Se aproximar deles, quando estão em grande
quantidade, é uma tarefa deveras ingrata. A situação melhora um pouco com
alguns upgrades que tornam Delsin mais ágil e que aumenta sua capacidade de surpreender com facilidade os inimigos
com ataques físicos, mas, ainda assim, ataques a distância são sempre mais fortes e eficientes no combate contra hordas de soldados da DUP.
Pensando fora da caixa
Além das sete horas da jornada principal e da grande
quantidade de missões paralelas que podem estender a aventura por mais algumas
horas, a Sucker Punch presenteou os jogadores com um conteúdo adicional
inteiramente gratuito. A missão adicional, chamada de Paper Trail, é baixada
automaticamente no console de qualquer um que possuir uma cópia do jogo e
consiste na investigação de uma série de misteriosos assassinatos na cidade.
Tudo bem, e o que isso tem de novo?
Paper Trail vai além do videogame e faz com que o jogador investigue pistas no site oficial da missão |
Paper Trail não é um conteúdo comum, pois com ele o jogo vai
além do que se passa na TV. Cada nova evidência obtida na investigação de
Delsin deve ser verificada no site (real) da missão para que a aventura continue no
console. Cada nova tarefa envolve quebra-cabeças inteligentes em que o jogador
deve pensar fora da caixa para chegar a uma resposta. Após conseguir as novas
pistas pelo computador, a aventura retorna para o PlayStation 4 na forma de uma nova
missão com Delsin. Novos conteúdos de Paper Trail serão disponibilizados por
seis semanas; e a abordagem da Sucker Punch com ekes é admirável e
extremamente inteligente.
Show de neon
Dentre todas as qualidades de Second Son, a mais evidente é
a de seu visual. Com gráficos extremamente detalhados, o jogo é o primeiro a
demonstrar o salto entre as gerações, se consagrando facilmente como o título mais bonito já lançado para consoles de mesa até hoje. E não pense que a
qualidade se limita a texturas em alta resolução ou a detalhes técnicos. O maior
mérito da criação da Sucker Punch está justamente em seu senso artístico, que se reflete
em uma Seattle belíssima e cheia de paisagens maravilhosas. Os efeitos de
iluminação também impressionam bastante, principalmente nos momentos em que
Delsin absorve o neon de placas e outros elementos dos cenários.
Acredite: todas as cenas do jogo são em tempo real |
A modelagem de cada um dos personagens do jogo também beira a perfeição, fazendo com que cada pessoa encontrada pelo caminho pareça única. As expressões faciais de Delsin são muito impressionantes e mostram que o PlayStation 4 será capaz de gerar gráficos belíssimos conforme as desenvolvedoras adquirirem mais know-how de como utilizar a capacidade do console. A trilha sonora também faz bonito e é composta por faixas de rock que empolgam bastante e ajudam a embalar a jornada, combinando com o clima do título e, principalmente, com a personalidade do protagonista
Chegando lá
Apesar dos problemas pontuais, inFAMOUS: Second Son é um dos melhores títulos do PlayStation 4 até o momento, se consagrando como o primeiro must-buy da nova geração da Sony. Com um enredo simples, mas eficaz, uma jogabilidade muito divertida e gratificante e com gráficos que representam um grande salto em relação à geração passada, o jogo da Sucker Punch merece ser desfrutado por qualquer proprietário do novo console e serve também para mostrar o enorme potencial dos próximos exclusivos que virão daqui para frente. Second Son é uma prova de que esta geração ainda impressionará muito os que estão céticos quanto a seu andamento.
Prós
- Delsin é muito carismático;
- Jogabilidade divertida;
- Gráficos absurdamente bonitos;
- Paper Trail é inovadora e divertida;
- Jogo completamente em português;
- Seattle se tornou um grande parque de diversões.
Contras
- Muito curto;
- História melhor que os anteriores, mas ainda assim cheia de furos;
- Desenvolvimento de personagens é superficial.
inFAMOUS: Second Son - PlayStation 4 - Nota 8.0
Revisão: Samuel Coelho
Capa: Felipe Araújo
cara na boa do que adianta um jogo que promete muito ser tao curto, nao estou desmerecendo a serie que e concerteza muito boa mas os jogos atuais sao muito curtos nao da para entender
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